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O DESAFIO DO COMBATE À EVASÃO ESCOLAR NO BRASIL.

Enviado: 24 Mai 2022, 14:47
por bylari
No documentário ‘’Para o Dia Nascer Feliz’’ é retratado uma série de entraves presentes nas instituições públicas de ensino, a qual implica a defasagem crítica do processo de escolarização e, consequentemente, o afastamento desses espaços pelos alunos. De maneira análoga, tal aspecto é notório no que tange à realidade brasileira, pois o desenvolvimento instrucional íntegro e amplo dos indivíduos não ocorre uniformemente em razão da ausência de equanimidade socioeconômica e de infraestrutura eficaz, corrompendo-se as potencialidades transformadoras da educação. Nesse sentido, não apenas a manutenção das desigualdades, como também a indiligência estatal impulsionam a evasão escolar.
Diante desse cenário, cabe pontuar como os desequilíbrios vigentes no corpo civil corroboram o abandono dos âmbitos de aprendizagem. Nessa lógica, segundo o sociólogo Florestan Fernandes, é fundamental tratar desigualmente os cidadãos em situações de vivência desiguais e, assim, estabelecer medidas equânimes para a resolução das divergências sociais. À vista disso, denota-se a carência desse princípio no panorama nacional, porquanto a não aplicação de tal direcionamento acentua a divisão entre a classe pobre e a classe rica, a qual reflete nas diversas conjunturas do país, sobretudo na educacional, uma vez que, no contexto de pobreza e seus diferentes níveis, a priorização da formação acadêmica é, não raramente, sobreposta pela a busca por fontes de renda, sejam formais, sejam informais, para garantir necessidades básicas - como a alimentação e a moradia – para a própria família. Posto isto, sem a reparação adequada do cerne dessa problemática, a população desfavorecida monetária e socialmente permanecerá evadindo-se da malha estudantil do país.
Ademais, vale ressaltar o caráter negligente do poder público quanto ao alicerce produtivo do aparato pedagógico para suprimir a evasão. Acerca disso, conforme o filósofo Paulo Freire, o conceito de ‘’Pedagogia do Oprimido’’ designa a importância da educação atuar a partir da humanização da transmissão do conhecimento, sendo uma forma de integração e de luta pela a emancipação e a ascensão dos sujeitos. Sob esse viés, é perceptível que esse ideal é essencial para proporcionar o avanço do povo brasileiro, contudo, o tratamento inferido sobre o processo de lecionar impede esse feito, pois o descaso para com a sua estrutura e o seu funcionamento implica adversidades como a falta de material didático, de professores capacitados e, principalmente, de acolhimento diferenciado aos alunos em circunstâncias atípicas - por exemplo, a gravidez na adolescência -, falhas obstaculizantes da permanência deles nos ambientes de ensino. Logo, essas imprudências estatais viabilizam, à medida que fomentam esse afastamento, a transgressão do futuro promissor de diversas crianças e jovens.
Portanto, urge a tomada de providências para reparar esses danos. Destarte, o Ministério da Cidadania deve criar um plano de equitatividade civil a médio prazo, por meio do investimento no incentivo à empregabilidade e à formação técnica e da criação de uma renda mínima universal de, especificamente, um salário mínimo e meio por pessoa, a fim de equilibrar as condições de vida e impedir os prejuízos ao progresso educacional. Além disso, o Ministério da Educação deve, mediante a identificação dos alunos evadidos, estimular a reintegração, com o intuito de evitar o estado exibido no documentário.