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Desafios da alfabetização no Brasil: consequências e caminhos para lidar

Enviado: 13 Mai 2022, 07:23
por Anna1
Conforme a Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos. Entretanto, no contexto brasileiro contemporâneo, tal norma não é aplicada na prática, uma vez que existem inúmeros desafios para a alfabetização no país. Assim, fatores como a abordagem educacional e a desigualdade social contribuem fortemente para a questão.

De início, constata-se a abordagem educacional como agente determinante para a permanência do impasse. O educador Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, cita o termo “educação bancária", o qual, segundo ele, trata-se de uma modalidade de ensino em que o professor “deposita” o seu conhecimento nos alunos de maneira passiva, sem dar espaço para debates e problematizações críticas. Nesse sentido, no sistema educacional brasileiro, prevalece esse método de ensino, o que afeta diretamente a alfabetização no país, uma vez que tal abordagem torna o conhecimento desinteressante e, muitas vezes, desnecessário, para a maioria dos estudantes. Logo, a falta de uma educação problematizadora contribui acentuadamente para a controvérsia e, consequentemente, para a evasão escolar.

Outrossim, é válido ressaltar a desigualdade social como intensificadora do problema. No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o protagonista, Fabiano, analfabeto e na extrema linha da pobreza, tinha o desejo de ver seus filhos alfabetizados, vontade a qual não pôde ser realizada devido à sua condição social e financeira. Nessa perspectiva, a realidade brasileira não se distancia da retratada na obra, dado que a discrepância socioeconômica presente no país, muitas vezes, dificulta a inserção de crianças e de jovens no ambiente escolar devido à falta de condições e de ensejos. Desse modo, tal cenário reforça ainda mais a desigualdade no Brasil, visto que a educação é um dos pilares mais importantes para o surgimento de boas oportunidades no mercado de trabalho.

Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para conter os desafios da alfabetização no país. Para tal, cabe ao Ministério da Educação, mediante verbas governamentais, melhorar a educação brasileira, de modo a acabar com a “educação bancária”, citada por Freire, e incluir uma educação mais crítica, abrindo espaços para debates e para problematizações na sala de aula. Essa ação terá como finalidade tornar o ensino mais atraente e interessante para os estudantes, de maneira que estes vejam a educação como algo necessário e importante para o futuro. Por fim, com essas medidas, a Constituição será devidamente aplicada e a Nação caminhará rumo ao progresso.