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No livro “Quarto de despejo” Carolina Maria de Jesus relata o seu cotidiano na favela de Canindé, tendo a fome como o maior de seus entraves enfrentados. De forma semelhante, é possível constatar que a insegurança alimentar vivenciada por Carolina ainda está presente na vida dos brasileiros de forma agravada pela pandemia devido a paralisação de atividades laborais, assim como a desigualdade social presente na sociedade atuando com protagonismo.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o trabalho formal e informal é a fonte de subsistência de várias famílias que antes do advento do coronavírus com muito esforço obtinham pouco para ser capaz de lidar com as suas necessidades e com o isolamento social houve a intensificação desse impasse trazendo uma lupa para essa população que antes era despercebida. Nesse sentido, a filósofa Simone de Beauvoir desenvolveu o conceito “invisibilidade social”, que diz respeito ao processo de apagamento sofrido por determinados grupos. Sob esse viés, sempre existiu para essa parcela de indivíduos a fome que antes era ocultada como apresenta a filósofa, todavia devido ao covid-19 a falta de nutrição tornou-se mais visível pelos brasilienses a cada dia.

Por conseguinte, vale ressaltar a desigualdade social sendo exposta de forma opressiva. A partir disso, observa-se que esse contraste sofrido pelos menos favorecidos é potencializado pela má distribuição de renda e mantimentos que vem perdurando por anos no território brasileiro. Nesse prisma, a tese de “autocidadania” escrito pelo sociólogo Jessé Souza, que denuncia a situação de vulnerabilidade social vivida pelos mais pobres, cujos direitos são negligenciados pela falta de ação do Estado pode ser detectada levando em consideração que no Brasil a subnutrição não é mantida por falta de alimentos, haja visto que isso o país produz muito, mas pela indiligência das políticas públicas notadas por Jessé.

É necessário, portanto, medidas estratégicas para mudar esse cenário. Para que isso ocorra o Ministério da Economia deve estipular um valor fixo no auxílio emergencial para ajudar as famílias em situação de insegurança alimentar neste período de quarentena podendo suprir as suas privações como também somar esse valor aos projetos sociais tal qual o bolsa família com a finalidade de com esse suporte do governo essas pessoas sejam capazes de garantir o mínimo que é a alimentação. Assim, o futuro poderá mudar ao invés de continuar reproduzindo realidades como a descrita no “Quarto de despejo”.
Competência 1

Demonstrar domínio da norma da língua escrita.

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Competência 2

Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

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Competência 3

Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

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Competência 4

Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

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Competência 5

Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

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